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A cultura do surf atravessou gerações na família Machado, como uma tradição ou um legado

Paulo Machado, o dono do Moby Dick, e os irmãos foram pioneiros no surf em Portugal, muito antes de este ser considerado um desporto de competição ou sequer uma modalidade.

Quando, na década de 70, começaram a aparecer os primeiros rapazes de calções de banho, com uma prancha debaixo do braço, pelas ruas de Cascais, ninguém compreendeu.

Não havia surf em Portugal e poucos se lançavam ao mar à aventura.

Não existiam fatos de surf e os surfistas da altura aqueciam-se, depois do mar gelado, na lareira da avó Esmeralda, na casa dos Machado, em frente à praia de São Pedro do Estoril, o berço do surf português.

Praia da Rocha, 1983
1º Campeonato Nacional, 1977
A família Machado viveu os anos dourados do Surf em Portugal

Em 1968 a avó de Paulo Machado trouxe do Brasil uma prancha de esferovite. Foi o início da descoberta do conceito de “apanhar ondas”. Nos anos 70, os irmãos Machado iniciam-se no surf com a ajuda de pranchas de amigos mais velhos, como os irmãos Gavazzo, os irmãos Deffence, o Pedro Melo e o Carlos Vieira. É em 1975 que Paulo herda a sua primeira prancha, do irmão Pedro, e juntos representam a família no primeiro campeonato de surf, na praia Ribeira de Ilhas, na Ericeira, corria o ano de 1977.

Foi o Pedro que teve a primeira Twin Fin em Portugal, uma Spirit encomendada que demorou um ano a chegar. Foi a revolução no surf. As pranchas começaram a diminuir de tamanho possibilitando performances melhores. 

No ano de 1978 os dois irmãos fundaram o Surfing Clube de Portugal, o primeiro clube de surf no país e que se mantém ativo até hoje.

No princípio dos anos 80 também Nuno Machado se inicia no surf, continuando até hoje com os filhos Nuno e Kiko. Vivendo mesmo à frente da praia tiveram contacto, desde cedo, com surfistas estrangeiros, que paravam em Portugal para surfar as nossas ondas. Deles beberam o conhecimento e as histórias sobre as viagens e foram adquirindo pranchas e fatos que não existiam em Portugal. 

A indústria do Surf e o mercado português nos anos 90

Paulo Machado liga-se à indústria do surf com o Pedro Martins Simões, um visionário que foi o pai da indústria do surf, das lojas e que trouxe os primeiros campeonatos do mundo para terras lusas. Tem sido, desde aí, responsável comercial pela introdução no mercado português de marcas como a Instinct, a Redley, a Victory, a Excel, a Semente, a Rusty ou a Lightning Bolt.

Mais tarde, já nos anos 90, Pedro ajudou Miguel Ruivo a reorganizar o Surfing Clube de Portugal e a montar a primeira Escola de Surf que o país viu. Nessa altura, foi também criada a Associação Nacional de Surf e organizado o Circuito Nacional de Surf (que ainda hoje existe). Foram feitos, ainda, grandes eventos como o Campeonato do Mundo de Ondas Grandes na Madeira, Festivais de Surf, música, skate e desportos de ação como o Old Spice Surf ou o Extreme Sports Show.

É no meio desta cultura surfista, já bastante viva no País, que nascem Caetano e Pedro, filhos de Paulo, e hoje responsáveis pelo Moby Dick Lodge e pela Surf School.

Ribeira d’Ilhas, 1978
Paulo Machado, em 1980
O Moby Dick Lodge e Surf School – A continuação do sonho

Em 2014, Paulo Machado inaugurou o Moby Dick Lodge, uma Surf House, na Malveira da Serra, em Cascais, para reunir todos os amantes do mar, e honrar o espírito do surf, num lugar de convívio e partilha. Um ano depois surge a Moby Dick Surf School, em Cascais, com o objetivo de ensinar pessoas a deslizar nas ondas, em cima de uma prancha, em plena conexão com o oceano. Ambos os conceitos ambicionam transmitir a cultura do surf, como desporto e estilo de vida.

E se Paulo viveu o surf na sua época dourada, com os irmãos, também passou os seus fundamentos aos filhos, que desde pequenos mostraram vocação para a prancha. Pedro e Caetano começaram a surfar aos 6 anos e desenvolveram toda a sua vida à volta do surf, participando até em competições. Acabaram por perceber que o que os define é o free surf e optaram por praticar estilo livre, sem o peso dos campeonatos. Hoje dedicam-se a partilhar a filosofia do surf, com a Surf House, e a ensinar as técnicas da modalidade através das aulas na Moby Dick Surf School.

O mar é energia e conexão com a natureza num sem fim de sensações

Com uma história que desbrava terreno desde os anos 70, hoje a escola conta com professores certificados e surfistas profissionais, que acreditam que o surf, mais do que um desporto, é um modo de vida feliz. 

A cultura surfista está muito ligada à partilha e à descoberta. E para a família Machado significa paixão e tradição. O surf é mar e é aprendizagem. É desafiar os limites e ter confiança. É diversão e convívio. E é relaxamento e conexão. O surf ensina-se, aprende-se, sente-se e vive-se.

Havai, 2010